Wine Rocks

Hoje, um assunto extremamente complexo - que eu adoraria entender melhor - mas envolve, literalmente, milhões de anos de transformações e mais transformações na história do nosso planeta. Vamos de volta ao Jurássico, principalmente. 

Rocha mãe vs solo? Os dois são intrinsecamente ligados, porém diferentes. O que vemos quando caminhamos nos vinhedos é o solo, enquanto a rocha mãe pode estar metros e metros de profundidade. 

A maior parte da Borgonha, terra santa e “personificação” do conceito terroir, é ancorada no período Jurássico, que aconteceu entre 137-195 milhões de anos, e que refere-se ao nome Jura, terra muito próxima da Borgonha. 

Dentro desse período, temos outras divisões: bajociano, batoniano, caloviano, oxfordiano, creteceo, oligoceno e quaternário. Por mais que sempre estejamos falando de calcário e argila, a combinação pode ter um impacto muito diferente dependendo da sua época/era/período. 

O Bajociano (171 a 167 milhões de anos)
Essas formações rochosas são frequentes na Côte d’Or e se divide em: 

Calcaire à entroques: numerosos fósseis marinhos da família das crinóides (hoje dia algo como estrelas do mar e ouriços-do-mar). Pode se encontrado nos grand crus Chambertin  e Clos de Bèze, e Clos de Tart, assim como nas partes mais baixas de Vosne-Romanée. 

Marla Ostrea acuminata: Um tipo de rocha calcária marla que consiste em pequenos fósseis de ostras mantidos juntos por uma matriz rica em argila de grão fino. Champs perdiz e Les Echézeaux (Marsannay), Les Vignes Rondes (NSG) e na parte superior do Les Cazetiers (Gevrey). 

O Batoniano (167 a 164 milhões de ano)
A rocha característica desse período é evidente em Corton - clos de Roi, Chassagne e também mais ao sul no Mâconnais. É subdivido em: 

Oólito branco: pequenas pedras de carbonato de cálcio em formato ovular. A sua estrutura permite “fissurar” mais facilmente, o que é importante para a drenagem do solo e aprofundamento das raízes. 

Comblanchien: calcário muito compacto com quase nenhuma presença de argila e humus. Musigny grand cru e Les Amoureses premier cru. 

Premeaux: mesma formação que Comblanchien, em lagoas, porém mais fundas. 

Pierre de Chassagne: o nome já indica sua lozalização. É um calcário muito duro, geralmente usado para mármore. 

Callovian: Dalle nacrée é o mais importante. formação representa o cemitério de uma grande população de ostras e outros bifalópodes que se instalam num fundo de uma lama específica. É fortemente compactada num calcário duro ao longo dos anos. Aus Reignots em Vosne e Clos des Epeneaux. 

Oxfordiano: calcário mais duro em Nantoux, mas mais macio, como marna, em Pernand e Pommard. 

Oligoceno: mais recente,  há cerca de 36 milhões de anos a cerca de 23 milhões de anos. Nas partes mais baixas de Meursault e aparece na cor rosa em Morey, Chambolle e clos Blanc de Vougeot. Clos de Reas 

Período quaternário: um pouco mais de 2 milhões de anos. Água derretida escavou os vales e depositou xisto, areia e seixos em cones aluviais. Dentro desse período também existiram grèzes litées, como no premier cru Monts Luisants e partes do Clos de La Roche grand cru, também no topo do premier Aux Combottes em Gevrey e nos Clos Du Roy de Marsannay. 

 

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