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Orgânicos sem os idas de homicidas

Orgânicos sem os idas de homicidas

Basicamente (que não tem nada de básico no assunto) viticultura orgânica implica em práticas de cultivo que evitam o uso de químicos nos vinhedos, como fungicidas, pesticidas, fertilizantes, herbicidas, da luta contra pestes e doenças. Como disse a rainha Lalou Bize-Leroy, Domaine Leroy, todos esses ‘idas’ soam como homicidas. E o movimento orgânico é baseado nessa premissa, de que essas aplicações tiram a vida da diversidade biológica ao redor das vinhas, e assim destruindo a saúde do solo, sua fertilidade e dificultando a absorção de nutrientes minerais pela planta. Além da saúde humana.

No cultivo orgânico, o solo e a biodiversidade são soberanos. E o foco é trabalhar intensamente para que ele seja o mais rico em vida para conceber vinhos mais autênticos, com o inimitável gosto do lugar. E que a vinha possa trabalhar por si só, de forma mais equilibrada, saudável e resistente para que possa gerar a melhor fruta possível. Portanto, fertilizantes naturais e compostos são usados ao invés de produtos sintéticos (além de outras técnicas mas vamos falar mais sobre elas no cultivo biodinâmico). Mas não significa que estão totalmente livres de elementos tóxicos, mesmo que sejam substâncias naturais, como enxofre e cobre. Cobre, particularmente, é toxico aos solos e polui a manta. Por mais que seja aplicado em baixas quantidades, ele se acumula. Problema eminente em Bordeaux e entre muitos growers de champagne.

Com a melhora na estrutura e vida microbiológica do solo, outros benefícios emergem, como a prevenção de erosão e compactação, e mais humus. Humus, nada mais é do que matéria orgânica degradada, e tem importantes funções. Ajuda a criar uma estrutura de solo de maior friabilidade e também melhor retenção de água e armazenamento de minerais, os tornando mais facilmente disponíveis para a planta. Além de tudo, vignerons que trabalham na forma orgânica acreditam que isso afeta diminui o vigor de suas vinhas, o que afeta os rendimentos, produzindo menos mas com mais qualidade e constância.

Não é só o bem para a planta no geral mas também para a sociedade, seja trabalhadores ou vizinhos, que não se expõem à químicos assim como a contaminação da fontes de água nas proximidades. Naturalmente, o trabalho manual aumenta e o das máquinas diminui, também criando mais empregos para a comunidade.

E na taça, o vinho é melhor?

Muitos vão dizer que é balela e que não acreditam que essas práticas podem efetivamente trazer melhores resultados pois a ciência não pode provar. E é verdade, a ciência ainda não pode provar muito por trás disso tudo. Mas não é porque ela não provou que não existe. E porque provaria que compostos naturais são melhores que químicos? E quem financiaria essas pesquisas caríssimas?

Muito do que falamos aqui está ligado ao próximo post que vai tratar do assunto biodinamismo. O famoso harry potter das vinhas :)

Muitos dos críticos de vinhos mais respeitados atestam que mesmo sem comprovações tangíveis, esses vinhos se destacam em provas às cegas como os exemplares de maior energia, vitalidade, e delineamento. Faça o teste, vale a pena.

Mas porque pagar mais?

A visão de fora é muito diferente do trabalho diário nos vinhedos. Já trabalhei e tive a oportunidade de acompanhar de perto o ciclo anual de uma videira, e posso afirmar com todas as letras que o trabalho exigido é descomunal. O que é mais fácil, trabalhar o solo com uma enxada ou cavalo é ou passar com um trator aplicando herbicidas? Além disso e outros fatores, existe o risco de perder boa parte da produção devido ao ataque de pestes, fungos ou qualquer outra doença, que poderiam ser tratados facilmente com químicos. Isso tudo reflete no preço, e é muito mais do que justo pagar um pouco mais por algo feito tão artesanalmente.

É importante ressaltar que esse movimento não é um ataque contra as grandes marcas, de forma alguma, e sim uma defesa daqueles que colocam os lucros acima de tudo. Sem escrúpulos. E isso, infelizmente, pode acontecer entre pequenos e grandes produtores.

Hoje, vinhos orgânicos, representam 2.8% das vendas de vinhos global e estudos preveem que até 2024 esse número chegará a 4%. Porém, em mercados como Suécia e Austrália, o índice é estratosférico, chegando a 22% e 11% respectivamente.
Dados: Growing Organically – A Natural Progression

É esse crescimento que fez brilhar os olhos dos departamentos de marketing ao redor do mundo, e empresas que nunca tiveram consciência alguma sobre essas questões, hoje tentam usufruir dos privilégios. Precisamos tomar cuidado com quem realmente é honesto nas suas práticas ou só quer ganhar em cima.

Acima de qualquer moda, na visão daqueles que são honestos perante a filosofia, esse é um movimento cultural de quem busca dar mais valor à vida, seja à nossa, seja a do próximo. E por isso, acredito que os números irão subir ainda mais depois da pandemia tendo em conta que vimos que a vida é muito frágil nesse período de reflexão e perdas.

É com muito orgulho que a 011 trabalha com vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais do mais alto nível.

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